Lígia Guerra

Lígia Guerra
Por que carrego doçura na alma e asas nos pés?
Porque sinto a vida além do óbvio.
Porque enxergo sol em dias de chuva.
Porque amo até mesmo o desamor.
Porque acolho cada gesto com os braços do coração.
Porque perfumo o caminho das estrelas.
Porque componho alegria na poesia da tristeza.
Porque desejo colorir a vida com olhos de fé!

- Lígia Guerra -

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

SOBRE O EXCESSO DE "BAGAGEM"...



São tantas as pessoas preocupadas com o formato do corpo… e tão poucas atentas a silhueta da alma… Já pensou nisso? Para o corpo todos os investimentos são válidos, academias, sucos, detox, regimes malucos, massagens modeladoras, tratamentos estéticos, fórmulas mágicas para eliminar calorias, simpatias… loucuras das mais variadas.

Enquanto isso a alma sofre transformações no seu metabolismo sem receber cuidados, tratamentos. A obesidade das mágoas, a celulite das tristezas, as estrias do coração partido, a constipação das frustrações, a flacidez da alegria ou a gordura localizada da ira, alojam-se no corpo emocional sem maiores dificuldades. Sentimentos são banalizados, descuidados, não são exercitados, malhados, drenados, tonificados ou desintoxicados. Aos poucos a alma engorda, deforma, perde a leveza de existir.  Tal qual o monge Ekido, carregamos peso extra. Ahhh, desculpe, você nunca ouviu falar dele? Então irei te contar.

Há algum tempo dois Monges Zen, Tanzan e Ekido caminhavam por uma estrada em direção a um distante mosteiro. Tinha acontecido uma forte chuva naquele dia e no local que estavam passando havia se formado um lamaçal.

Quando se aproximaram da uma aldeia, no meio do caminho, perceberam uma jovem que tentava atravessar a estrada com imensa dificuldade devido a lama. Tudo indicava que ela não queria estragar o seu quimono de seda e estava indecisa sobre como resolver a situação.

Em uma ação repentina e de forma completamente impulsiva, Tanzan pegou a moça no colo e a carregou para o outro lado da estrada. Agradecida ela fez uma referência respeitosa e seguiu seu caminho.

Depois deste breve incidente, os dois monges prosseguiram sua caminhada. Mantiveram um silêncio quase meditativo por todo o percurso.

Quando já estavam chegando no templo onde passariam a noite, cinco horas mais tarde, Ekido, demonstrando grande ansiedade, não conseguiu mais se conter e perguntou: “Por que você carregou no colo aquela jovem para o outro lado da estrada? Nós, monges, não devemos fazer tal tipo de coisa.”

Tanzan então respondeu com outra pergunta: “Faz horas que coloquei aquela jovem no chão. Você ainda a está carregando?”

Pesos emocionais, até quando você carregará o seus?

- Lígia Guerra -


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