Lígia Guerra

Lígia Guerra
Por que carrego doçura na alma e asas nos pés?
Porque sinto a vida além do óbvio.
Porque enxergo sol em dias de chuva.
Porque amo até mesmo o desamor.
Porque acolho cada gesto com os braços do coração.
Porque perfumo o caminho das estrelas.
Porque componho alegria na poesia da tristeza.
Porque desejo colorir a vida com olhos de fé!

- Lígia Guerra -

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Amor des(abitado) - Vale a pena lutar?


Será que aquele que parte sabe o vazio que deixa? Penso que não. Talvez até imagine o sofrimento do abandonado, mas jamais terá a verdadeira dimensão do luto sombrio, do embate que teve que ser enfrentado por aquele que ficou para trás. Apesar da dor aconselhar a desistir e a consciência afirmar que a relação esvaziou, a teimosia do afeto é forte. A razão insiste que é momento de fazer as malas e devolver as chaves. Mas o coração bate o pé. Quer ficar. 

Mas o que nos faz apostar no amor, apesar da dor? Porque sem o outro nos sentimos sem teto, sem chão, sem calor, sem endereço. Refugiávamos naquele corpo. Tecíamos sonhos naquela alma. Respirávamos naquela boca. Ficamos sem lar. Somos furtados daquela ternura que trancava a porta da frente ao final do dia. Dói. Dói muito. Mas a pior dor é a de insistir em morar em uma casa que deixou de ser um lar. Um lugar em que as flores murcharam e a música não encanta mais. 

Amor dos bons tem oxigênio de sobra, endereço enfeitado e jamais confunde casa com lar. O lar é um lugar de onde os pés podem se afastar, mas que o coração vibra para voltar. Quando sentimos isso sabemos que ali, o amor habita. Respira saudável. Somente diante dessa certeza a luta é válida.

- Lígia Guerra -