Lígia Guerra

Lígia Guerra
Por que carrego doçura na alma e asas nos pés?
Porque sinto a vida além do óbvio.
Porque enxergo sol em dias de chuva.
Porque amo até mesmo o desamor.
Porque acolho cada gesto com os braços do coração.
Porque perfumo o caminho das estrelas.
Porque componho alegria na poesia da tristeza.
Porque desejo colorir a vida com olhos de fé!

- Lígia Guerra -

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Em plena era do verniz. Ninguém tem raiz.



Em plena era do verniz. Ninguém tem raiz.
-Lígia Guerra -

Atualmente vivemos na política do ‘deixa para lá’. Ninguém quer se incomodar com absolutamente nada. Comprometimento dá trabalho. A moda é ser  “Zen”.
É mais bonitinho e politicamente aceitável ser bonzinho. Esconder a covardia de opinião atrás de uma fachada de pessoas ‘de bem com a vida’. 

Na verdade não são pessoas “Zen”. São pessoas “Sem”. Sem noção da vida. Sem afetividade. Sem responsabilidade. Sem comprometimento. Sem empatia. Sem percepção de mundo. Sem limite para o ‘bom’ humor. Que brinca com tudo e  não aprofunda em nada.

Ser ‘Zen’ não siginifica ser cego, egocêntrico ou indiferente. A palavra Zen vem do termo sânscrito  ‘dhyãna’ que denota o estado de concentração típico da prática meditativa. Para uma pessoa conseguir meditar, em primeira instância, ela tem que ter consciência de que é a única responsável pelo próprio crescimento. Essa postura não combina os detentores de inúmeros direitos e  escassos deveres. Quem cresce não vive a política do meu umbigo é o centro do universo. Sabe que esse é um processo trabalhoso que exige esforço, muita dedicação, coração aberto e mente disciplinada. Quem cresce germina, cria estruturas, oferece frutos. Sabe que a roda da vida só gira com perfeição quando o mundo está bom para todos. 

É preciso desintoxicar a alma da praga da indiferença! Estamos abandonado os valores à própria sorte e deixando as virtudes a míngua. Ninguém aceita conviver com as frustrações. Ninguém quer pagar o preço das emoções bem construídas, das relações sólidas e do caráter enraizado na terra da honestidade. No mundo onde sobram culpados, faltam presídios. 

A pluralidade das opiniões é importante e deve ser respeitada. Mas que a diversidade não assassine o bom senso. Precisamos aprender a pagar o preço das coisas. Assim como os bens materiais de maior qualidade costumam ser os mais caros, os nossos pertences emocionais também cobrarão maior esforço para serem conquistados. Casamentos pueris, famílias dissolvidas por meros caprichos de egos, violência gratuita, drogas, irresponsabilidade no trânsito, descontrole nos gastos e indiferença são apenas alguns dos sintomas. No meio do caos os laços se tornam cada vez mais frouxos e as responsabilidades são terceirizadas.

Quem não toma a palavra é atropelado por ela. Precisamos assumir que não temos a  menor vocação pra sermos legais o tempo inteiro. Ser correto, muitas vezes, exige atitudes antipáticas. Ou você acha que a ‘lei seca’ está agradando a todos? Vamos resgatar a saúde emocional da nossa sociedade. Dialogar mais e melindrar menos. Refletir mais e criticar menos. Ter mais coragem e menos medo. Amar mais e hostilizar menos.

Equilíbrio e paz não tem correlação com simpatia ou falta de opinião. Mas com ausência de reatividade. Quem quer paz não briga, dialoga. Não agride, impõem limites. Não é irônico, fala com o coração. Nem sempre concorda, mas respeita. Não é incendiário, atua como bombeiro. Não é invejoso, ama as próprias limitações e qualidades e cresce com cada uma delas. Não tem vergonha de falar de Deus. Sente Deus.

Aquele que é realmente Zen cuida com afinco das própria raízes, pois sabe que os temporais podem carregar as flores e os frutos. Jamais a capacidade de germinar novamente.

2 comentários:

António disse...

Há pessoas que tem receio de dar a sua opinião, pelo menos publicamente para não ficarem mal vistos, muitos são depois os maiores intriguistas.

Bj!

MAURICE MARCEL disse...

CONCORDO PLENAMENTE