Lígia Guerra

Lígia Guerra
Por que carrego doçura na alma e asas nos pés?
Porque sinto a vida além do óbvio.
Porque enxergo sol em dias de chuva.
Porque amo até mesmo o desamor.
Porque acolho cada gesto com os braços do coração.
Porque perfumo o caminho das estrelas.
Porque componho alegria na poesia da tristeza.
Porque desejo colorir a vida com olhos de fé!

- Lígia Guerra -

domingo, 18 de setembro de 2016

DEUS...


Durante essa semana ministrei um curso sobre ‘inteligência espiritual’ para um grupo reservado de empresários. Uma procura que me faz acreditar nas mudanças profundas que vêm ocorrendo nas relações e preocupações humanas. Quando um deles me perguntou se eu acredito em Deus, usei a belíssima analogia do escritor húngaro Útmutató a Léleknek para expressar como me sinto em relação a essa questão. 

“No ventre de uma mãe havia dois bebês. 
Um perguntou ao outro: “Você acredita em vida após o parto?” 
O outro respondeu: “É claro. Tem que haver algo após o parto. Talvez nós estamos aqui para nos preparar para o que virá mais tarde.” 

“Bobagem”, disse o primeiro. “Não há vida após o parto. Que tipo de vida seria essa?” 
O segundo disse, “Eu não sei, mas haverá mais luz do que aqui. Talvez vamos poder andar com as nossas pernas e comer com nossas bocas. Talvez teremos outros sentidos que não podemos entender agora.” 

O primeiro respondeu: “Isso é um absurdo. Andar é impossível. E comer com a boca? Ridículo! O cordão umbilical nos fornece nutrição e tudo o que precisamos. Mas o cordão umbilical é muito curto. A vida após o parto logicamente está fora de questão.” O segundo insistiu, “Bem, eu acho que há alguma coisa, e talvez seja diferente do que é aqui. Talvez a gente não vai precisar mais deste tubo físico.” 

O primeiro respondeu: “Bobagem. E além disso, se há mesmo vida após o parto, então por que ninguém jamais voltou de lá? O parto é o fim da vida, e no pós-parto não há nada além de escuridão e silêncio e esquecimento. Ele não nos leva a lugar nenhum.” “Bem, eu não sei”, disse o segundo, “mas certamente vamos encontrar a Mãe e ela vai cuidar de nós.” 

O primeiro respondeu: “Mãe? Você realmente acredita em Mãe? Isso é ridículo. Se a Mãe existe, então onde ela está agora?” O segundo disse: “Ela está ao nosso redor. Estamos cercados por ela. Nós somos dela. É nela que vivemos. Sem ela este mundo não seria e não poderia existir.” 

Disse o primeiro: “Bem, eu não posso vê-la, então é lógico que ela não existe.” Ao que o segundo respondeu: “Às vezes, quando você está em silêncio, se você se concentrar e realmente ouvir, você pode perceber a presença dela, e pode ouvir sua voz amorosa, lá de cima.” 

Tantos pedem provas sobre Deus, mas quantos se preocupam em demonstrar que a sua própria existência não é vã? Que a sua vida não é um desperdício diante da criação e da energia do universo? 

Penso que quando a pergunta for invertida, quando paramos de perguntar uns para os outros se acreditamos em Deus e perguntarmos se nós somos pessoas que merecemos a sua confiança, o nível da consciência humana se ampliará. Diante dessa nova premissa a terceirização das responsabilidades deixará de ser uma preocupação e nos concentraremos em ser honestos com o outro e com as nossas escolhas. 

E sim, eu acredito em Deus. Eu o cultivo no meu coração, nas minhas atitudes e na relação de confiança que estabeleço com Ele, com as pessoas e com a vida. 

- Lígia Guerra -


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