Lígia Guerra

Lígia Guerra
Por que carrego doçura na alma e asas nos pés?
Porque sinto a vida além do óbvio.
Porque enxergo sol em dias de chuva.
Porque amo até mesmo o desamor.
Porque acolho cada gesto com os braços do coração.
Porque perfumo o caminho das estrelas.
Porque componho alegria na poesia da tristeza.
Porque desejo colorir a vida com olhos de fé!

- Lígia Guerra -

quarta-feira, 16 de março de 2016

SOBRE O AMOR QUE PARTIU...

“Seja uma pessoa boa, mas não perca tempo provando isso.” 


Na linguagem do amor essa citação faz todo o sentido. Quem tenta provar que é merecedor de afeto, raramente consegue ser amado. Parece óbvio, mas não é! 

O nosso desejo de amar , de ser amado, de viver um romance arrebatador, muitas vezes bloqueia a visão de quem somos e, principalmente, sobre quem o outro é. 

A verdade é que os nossos afetos nunca chegam sozinhos. Eles costumam vir acompanhados dos seus agregados, quando não são os filhos de outros relacionamentos, o cachorro ou a nova planta da sala, são as carências, os sonhos e as idealizações. Por vezes todos juntos. Os filhos a gente ama, o cachorro a gente acolhe, a planta a gente rega, mas as projeções nem sempre são fáceis de administrar. No começo tudo é lindo! Ela tinha os olhos cor de mar que ele sempre gostou. Ele tinha o abraço protetor que ela nunca encontrou. 

Foram feitos um para o outro, pensava ele. 
Pertenciam-se, acreditava ela. 

Mas na dança da vida nem sempre estamos cadenciando os mesmos passos e ouvindo os mesmos ritmos. Essa descoberta revela então… Um deles não amava na mesma medida. Não era tão legal quanto parecia. E não se importava tanto quanto se imaginava. 

Assim, uma nova realidade surge. Brota no calendário um novo marco da relação, o dia do abandono. Ele não será celebrado, tampouco lembrado com carinho, mas selará uma nova etapa da vida. A casa passou a acolher apenas um deles. A outra xícara não terá mais a marca do batom dela. O travesseiro não afagará mais a barba dele. Um dos molhos da chave da casa não fará mais companhia para um deles. 

As conversas foram trocadas pelos ruídos de um coração apertado. A dor do abandono é descoberta. Uma angústia que não pode ser explicada. É composta de um vazio que amarela o riso, avermelha os olhos e acizenta a alma. Dói de um jeito que parece eterno. Dói de um jeito que não quer conversa com mais ninguém. Dói! O tempo passa e a dor está lá. Ocupando os cômodos da casa para a qual não se quer voltar. Até que um dia a dor começa a se despedir. Ficará, por um algum tempo, apenas o vazio. 

Mas apesar da dor, aprendemos a importância do vazio. Sem ele não podemos dar lugar a novos sentimentos. Não podemos acolher a nós mesmos, ao que sobrou e ao que renasceu depois da tempestade. Se formos alunos inteligentes emocionalmente, teremos aprendido com a dor, sobre a importância do amor próprio. Não ficaremos buscando um amor novo e perfeito. Compreenderemos que boas pessoas, em primeiro lugar, precisam ser ótimas para si mesmas, e que o perfume da autoconfiança é a melhor fragrância de todas. 

E caso surja um novo amor, ele poderá ser de fato novo! O ciclo não se repetirá com a ‘mesma pessoa’ em um outro rosto. Será de fato uma nova pessoa em um novo rosto. Acima de tudo escolheremos uma pessoa que saiba amar e ser amada. Uma pessoa que não roubará nossas cores, mas que compartilhará conosco os seus melhores matizes. 

- Lígia Guerra -


2 comentários:

Bell disse...

Que lindo, só quem viveu isso sabe o sentido de cada linha escrita.

bjokas =)

Mah Guimarães disse...

maravilhoso texto. terminei o namoro por me sentir desvalorizada, cansada, ler tudo isso, apesar de toda dor, traz uma esperança de que sera passageiro, primeira vez que vejo seu Blogger, agora estarei sempre acompanhando. realmente a dor é enorme, mas estou descobrindo que o amor próprio é magnifico... precisei apanhar da vida, por não ouvir conselhos, e não foram poucos. Mas sinto que estou aprendendo. caso venha um novo, antes de tudo não esquecerei de mim... obrigada!!