Lígia Guerra

Lígia Guerra
Por que carrego doçura na alma e asas nos pés?
Porque sinto a vida além do óbvio.
Porque enxergo sol em dias de chuva.
Porque amo até mesmo o desamor.
Porque acolho cada gesto com os braços do coração.
Porque perfumo o caminho das estrelas.
Porque componho alegria na poesia da tristeza.
Porque desejo colorir a vida com olhos de fé!

- Lígia Guerra -

quinta-feira, 18 de junho de 2015

FEMINISMO: O CAMINHO DA CORAGEM!!!


“Se é preciso libertar as mulheres de um pesado passado de preconceitos e revisar as leis, é preciso também, e sobretudo, libertar a mulher dela própria.” 

A jornalista Louise Weiss foi muito sábia ao escrever a reflexão acima. O machismo está impregnado em todos nós, na nossa educação, religião, valores e cultura. É uma erva daninha que deve ser extinta da sociedade. Tenho certeza de que cada um de nós tem alguma história sofrida na vida ligada ao machismo. Precisamos nos libertar. 

Sei que é inadmissível termos mulheres sendo assassinadas todos os dias pelos parceiros que deveriam protegê-las. Não suporto os homens que mexem com as mulheres nas ruas achando que estão fazendo grandes favores para as suas autoestimas. Pais que oprimem os sentimentos dos seus meninos, que desmerecem a inteligência das suas meninas e que assassinam a sensibilidade criativa de ambos. Também é irritante ver tantas pessoas falando mal de uma ideologia que sequer conhecem. 

Na verdade deveríamos aplaudir de pé as feministas que lutaram e lutam diariamente por todos nós. Devemos muito a cada uma delas. Ser feminista não é ser contra os homens. A questão central sequer são os homens, mas os direitos que alguns deles concederam ao seus pares, as oportunidades que eles desfrutam, a liberdade de viver. O machismo é um sistema de dominação. O feminismo é um sistema de conquista de direitos, de libertação. Não acredita? Reflita comigo sobre as questões abaixo: 

Você defenderia sua mãe ou irmã se o seu pai as espancasse? 
Você investe nos estudos da sua filha e torce para ela ter uma carreira bem sucedida? 
Você acredita que o seu filho deva ter a oportunidade de expressar os seus sentimentos tanto quanto a sua filha? Ficar triste, chorar e desabafar? 
Você concorda que as mulheres devem ter o direito de votar e de serem votadas? 
Você concorda que as mulheres devem ganhar o mesmo salário que os homens para exercer a mesma função e assumir as mesmas responsabilidades? 
Você acredita que as mulheres devem ter independência financeira? 
Você gosta de conversar com mulheres inteligentes? 
Você enxerga o casamento como uma escolha e não como um emprego? 
Você acredita que as famílias são mais saudáveis e felizes quando o pai e a mãe dividem responsabilidades e somam afetividade? 
Você acredita que homens e mulheres devem dividir as contas e as tarefas domésticas? 
Você acha um absurdo mulheres serem espancadas e assassinadas pelos seus parceiros? 

Pois é… É por essas causas que as feministas lutam! Antes de pensar mal do feminismo, pense no que seria do mundo se esse movimento não tivesse nascido. No dia em que não precisarmos nos preocupar com as questões acima, também não precisaremos de mulheres e de homens feministas. A luta só se faz presente diante dos desequilíbrios. Assim como um corpo luta contra uma doença física, o feminismo luta contra uma doença social. 

Uma feminista não aceita estigmas. Ela não a rotulará de problemática porque você optou por ser solteira. De egoísta por não ter filhos. De maluca por que largou o emprego dos ‘sonhos’ para viajar. De alienada por preferir ficar em casa enquanto os pequenos crescem ao invés de se dedicar a uma carreira. De fútil por desejar um casamento de princesa. De vagabunda por adorar sexo. De submissa por gostar de cheiro de homem, até porque homem cheiroso é bom demais! De forte ou de fraca por fazer parto normal ou cesária. A escolha é sua. A consequência também. E se alguma feminista quiser pregar um padrão… Ela é uma impostora! Feminismo não é seita. 

Ser feminista é investir em relacionamentos construtivos. É valorizar os homens de qualidade, aqueles que motivam os seus projetos e não têm medo de se relacionar com mulheres realizadas. É saber da importância do marido na vida dos filhos e lutar para que eles possam exercer o seu direito a uma amorosa paternidade. É acolher as inseguranças masculinas, suas lágrimas, dúvidas e construir intimidade sem jogos ou complicações. É contar com o pai que apoia, o amigo que defende , o professor que inspira e o homem que ama. 

Ser feminista é não ter medo de sonhar, ousar e realizar. É saber o próprio valor, independente do reconhecimento alheio. É saber-se única. É ser parceira e parteira da vida. 

O mundo não precisa de mais fronteiras, mais preconceitos, mais rótulos, mais neuroses, mais tristezas. A vida precisa é de pessoas de qualidade. Isso não depende de gênero, depende de educação. Depende de cada um de nós. 

- Lígia Guerra -  

Escritora. Poetisa e Cronista. Autora do livro “Mulheres às Av3ssas”. 
Uma mulher em constante (r)evolução. Escritora por paixão! 

www.ligiaguerra.com.br

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