Lígia Guerra

Lígia Guerra
Por que carrego doçura na alma e asas nos pés?
Porque sinto a vida além do óbvio.
Porque enxergo sol em dias de chuva.
Porque amo até mesmo o desamor.
Porque acolho cada gesto com os braços do coração.
Porque perfumo o caminho das estrelas.
Porque componho alegria na poesia da tristeza.
Porque desejo colorir a vida com olhos de fé!

- Lígia Guerra -

domingo, 24 de março de 2013

A Turquia e os Mestres Dervishes...


Devido a inúmeros filmes e novelas que têm mostrado um pouco a cultura da Turquia, muitas pessoas têm me perguntando: Lígia, você que conhece a Turquia, foi ao show dos Dervishes? E se foi, o que achou do espetáculo? Acredita que seja um evento imperdível? 

Sim, eu fui. Significou muito para mim. Senti emoções indizíveis e guardo aqueles momentos como um precioso presente da vida que transcendem explicações materiais.

Agora, se todos que vão para a Turquia devem procurar conhecer os Monges, depende. Se você for apenas como um turista, não vá. Os turistas costumam participar de um show, pagam por isso, e normalmente não apreciam. Saem falando mal. Isso acontece porque pagaram não apenas por um espetáculo, pagaram acima de tudo pela própria ignorância. Primeiro porque os Dervishes não fazem shows. Segundo porque eles não são artistas que se apresentam. 

Os Dervishes são Mestres da Turquia que vivem nos desertos e, como tal, recebem aqueles que estão buscando caminhos para o seu próprio processo de iluminação. O 'giro', meditação em movimento feita pelos Dervishes Mevlevi, começou com um dos poetas que mais AMO: Rumi. 

"Conta a história que ele andava pela seção dos ourives em Konya (na Turquia) quando percebeu uma linda música no som dos martelos. Começou a girar em harmonia com o som, numa dança extática de entrega mas mantendo-se centrado. Chega-se a um ponto em que o ego se dissolve e entra-se em ressonância com o espírito universal. 

Dervishe significa 'passagem'. Girar é uma imagem de como o Dervishe se torna um lugar livre para o humano e o divino se encontrarem. Não há ser ou objeto que não se mova em giros, pois todas as coisas são compostas de elétrons, prótons e nêutrons, que giram em átomos. Tudo gira, e o ser humano vive por meio do girar destas partículas, pelo girar do sangue no seu corpo, o girar dos estágios de sua vida, pelo seu vir da terra e retornar a ela. Todos estes giros são naturais e inconscientes, mas o ser humano possui a mente e a inteligência que o distinguem de outros seres. Portanto, os Dervishes, intencionalmente e conscientemente, participam e compartilham o girar dos outros seres. 

Uma característica importante deste ritual de sete séculos é que ele reúne os três componentes fundamentais da natureza humana: a mente (pelo conhecimento e pensamento), o coração (através da expressão de sentimentos, poesia e música) e o corpo (ativando a vida, girando). Estes três elementos são integralmente unidos tanto na teoria quanto na prática, como talvez em nenhum outro ritual ou sistema de pensamento. A cerimônia representa a jornada espiritual do ser humano, uma ascensão por meio da inteligência e amor à Perfeição. Girando em direção à verdade, ele cresce através do amor, transcende o ego, encontra a verdade, e chega à Perfeição. Então ele retorna de sua jornada espiritual como aquele que alcançou a maturidade e a completude, capaz de amar e servir a toda criação e a todas as criaturas, sem discriminações de crença, classe ou raça. 

No simbolismo do ritual Sema, o chapéu de pelo de camelo (sikke) do semazen representa a tumba do ego; a sua grande saia branca representa a mortalha do ego. Ao remover a sua capa negra, ele é espiritualmente renascido para a verdade. No início do Sema, mantendo seus braços fechados em cruz, o semazen representa o número um, testemunhando a unidade divina. Enquanto gira, seus braços estão abertos: seu braço direito está direcionado ao céu, pronto para receber a beneficência de Deus; sua mão esquerda, sobre a qual os seus olhos estão fixados, está virada para a terra. O semazen oferece o presente espiritual de Deus àqueles que testemunham o ritual Sema. 

Girando da direita para a esquerda ao redor do coração, o semazen abraça toda a humanidade com amor. O ser humano foi criado com amor, para que também ame. Mevlâna Jalâluddîn Rumi diz: “Todos os amores são uma ponte para o amor Divino. No entanto, aqueles que não o experimentaram não o sabem!”."

Se após ler esse texto, sentir a vontade de vivenciar essa experiência, não compre ingressos. Organize a sua viagem com antecedência e reserve, respeitosamente, um dia e um momento no qual você possa ser recebido para esse momento de interiorização espiritual. Os monges não são bonecos. Os monges são pessoas que estão buscando iluminação e estão procurando iluminar o mundo , através de uma belíssima filosofia. Portanto, para ver, sentir e abraçar esse momento com intensidade, será preciso estar com os olhos da alma despertos. Caso contrário, você sairá tão vazio quanto entrou. 

 - Lígia Guerra - 

 “Vem, 

Te direi em segredo

Aonde leva esta dança. 
Vê como as partículas do ar

E os grãos de areia do deserto

Giram desnorteados. 
Cada átomo

Feliz ou miserável, 

Gira apaixonado
 em torno do Sol."

- Rumi -





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