Lígia Guerra

Lígia Guerra
Por que carrego doçura na alma e asas nos pés?
Porque sinto a vida além do óbvio.
Porque enxergo sol em dias de chuva.
Porque amo até mesmo o desamor.
Porque acolho cada gesto com os braços do coração.
Porque perfumo o caminho das estrelas.
Porque componho alegria na poesia da tristeza.
Porque desejo colorir a vida com olhos de fé!

- Lígia Guerra -

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Lealdade X (Des)lealdade: Será apenas uma questão de prefixo?

Ainda esses dias me perguntaram se eu acredito em Deus, respondi com um efusivo e sonoro: Não! Eu sinto Deus e ‘esbarro’ nele em cada detalhe da minha vida. Isso, para mim, significa muito mais do que acreditar.

Da mesma forma sinto a lealdade. Sei que ela não deve ter um julgamento apenas racional, mas deve estar em harmonia com os meus sentimentos, caso contrário impera a hipocrisia, a dissonância entre aquilo em que acredito e aquilo que os outros esperam que eu acredite.

Etimologicamente a palavra lealdade tem uma profunda intimidade com a lei, psicologicamente ela tem um profundo vínculo com os valores pessoais de cada indivíduo. Justamente por isso ela cobra um alto valor de todos nós, pois para nutrirmos a autenticidade por vezes desagradamos aos demais.

A lealdade, tristemente, parece estar fora de moda. Vivemos tensos, ansiosos, medrosos porque sentimos que podemos ser devorados a qualquer momento por qualquer pessoa. Confiamos em quem? Como as pessoas usam as nossas confidências? As máscaras emocionais estão cada vez mais asfixiantes! Como podemos construir  as nossas verdades e sermos verdadeiramente amados diante dessas inseguranças?

Embora a traição e a deslealdade sejam vistas como irmãs, intuo uma sutil, mas significativa diferença entre elas. A traição está mais ligada à atitude, um ato por vezes impensado, uma fraqueza momentânea. A deslealdade é um valor moral, algo construído em longo prazo. Ninguém se torna desleal do dia para noite. Perder o compromisso com a própria verdade é uma construção infeliz dos que desacreditam do próprio potencial.

Falar o que pensamos, discordar, sermos nós mesmos dá medo de represálias, medo do desamor. As pessoas estão muito armadas de agressividade e de arrogância para proteger as suas frágeis estruturas emocionais, as suas auto-estimas pintadas de verniz. Dessa forma, aqueles que falam o que pensam mesmo que da forma mais polida possível, não costumam ser vistos com bons olhos. A ousadia da verdade intimida.

Aqui cabe uma profunda reflexão. Os desleais gostam de ser bonzinhos e fazem qualquer coisa para serem aceitos, são os famosos seres camaleônicos que se adaptam ao meio e tecem as suas vidas conforme o meio em que se encontram. Mudam de crenças, valores e ideais como quem muda de roupa. Os desleais padecem da falta de amor próprio e devido a isso se escondem atrás de estilos de vida que nem sempre lhes agradam, puxam o saco de quem for preciso para ascender na vida e adoram um bom atalho existencial. Os desleais apreciam títulos e gostam de se sentir superiores aos demais.

O fenomenal escritor libanês Khalil Gibran defendia que a simplicidade é o último degrau da sabedoria. Seres humanos como Jesus Cristo, Budha, Mahatma Gandhi e a nossa querida Madre Tereza de Calcutá foram a personificação dessa verdade que atende pela simplicidade e que é uma característica clássica da lealdade.

Os leais não precisam de títulos porque possuem uma auto-estima bem estruturada, amam independente das diferenças, pois sabem que essa é a premissa básica do amor genuíno. Isso não significa que pessoas leais não possuam visão crítica, significa apenas que elas não confundem isso com língua felina. Não somos obrigados a concordar, mas também não devemos confundir discordância com agressividade.
Sermos leais aos nossos princípios representa sermos fiéis àquilo que acreditamos com ou sem platéia. 

Fidelidade não significa ausência de fraquezas ou tentações, mas força de optarmos pelos nossos valores pessoais apesar delas. Fiel não é o santo, mas o humano que supera os caminhos mais fáceis, aqueles que normalmente conduzem as escolhas equivocadas.

Ser genuíno dá trabalho e costuma desagradar. Porém, nunca conheci uma pessoa despersonalizada que fosse amada e admirada. Ela no máximo passa por boazinha. Lealdade é um compromisso com a nossa verdade íntima. Uma pessoa leal pode prejudicar a si própria por falar a verdade, mas jamais trairá o seu coração.

A lealdade é fundamental para a nossa saúde mental. Quem planta as suas raízes no solo sagrado da verdade vive melhor, confia mais, sabe o que significa paz de espírito e ama com fé! Como podemos ver não é apenas um questão de prefixo, mas de atitude.

- Lígia Guerra -

Um comentário:

Francisco Elui Ferreira Terres disse...

Bom dia!

Quando morrer não quero choro e nem vela, pois eu não quero que a tristeza vá comigo.
Peguem minha gaita que pra mim vale um tesouro e vão tocando até o meu verdadeiro abrigo.

Meu pai.. para que tanta complexidade nessa vida?
Tbn não acredito em "DEUS" Se Deus é "BOM" Vivo sempre nesse meio, não importa se o palco é lindo, feio, verde, branco, preto, vermelho.
É porque merecemos ele.

bj. grande

Francisco Eluí