Lígia Guerra

Lígia Guerra
Por que carrego doçura na alma e asas nos pés?
Porque sinto a vida além do óbvio.
Porque enxergo sol em dias de chuva.
Porque amo até mesmo o desamor.
Porque acolho cada gesto com os braços do coração.
Porque perfumo o caminho das estrelas.
Porque componho alegria na poesia da tristeza.
Porque desejo colorir a vida com olhos de fé!

- Lígia Guerra -

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Como estabelecer limites para a família?


Casar implica em sair da singularidade e passar a conjugar a existência na pluralidade. Quando casamos temos que aprender muito sobre nós mesmos, sobre o outro e também sobre os novos familiares.

Primeiro temos que SENTIR que precisamos desatar os nós das diferenças e criar laços do bem querer, pois os laços enfeitam a vida, os nós castram. Parece uma diferença insignificante, mas não é! Laços criam possibilidade de amor real, já os nós criam a obrigatoriedade do afeto. Famílias que obrigam os filhos a bater cartão aos sábados e domingos em suas casas, privam a possibilidade da chegada prazerosa e impõem a presença compulsória, o desprazer.

Criar laços significa cativar. Aqui recorro ao livro Pequeno Príncipe: ‘Somo responsáveis por aquilo que cativamos!’ Então entra a questão: Como estabelecer limites para a família sem magoar os sentimentos do grupo familiar e sem ferir a relação conjugal? A palavra é educação, mas não apenas no sentido do polimento, educação para os limites! Os adultos também precisam ser educados.

Aqui vale lembrar que eu só posso ensinar algo que eu mesmo aprendi. Será que eu consigo estabelecer limites sociais, para os meus colegas de trabalho, o meu chefe e para os amigos? Quanto mais íntimas forem as pessoas, mais difícil será para estabelecer esses limites.

Perceber a necessidade da educação pessoal, conjugal e familiar possibilita crescimento para todos. Não levar a intimidade conjugal para a casa dos pais ou irmãos, não falar mal do parceiro ou procurar resolver os problemas em casas alheias. Evitar discutir na frente dos filhos é vital! Eles não costumam ter maturidade e por vezes acabam expondo a família a situações constrangedoras ao comentar com familiares e amigos o desentendimento dos pais. Imagine se a briga do casal foi sobre questões íntimas ou sobre a saúde financeira da família, o nível da exposição! Casais que não têm bom senso, tornam-se facilmente alvo de fofocas e isso só aumenta a tensão entre ambos.

Além disso, os filhos podem se tornar ansiosos e reativos frente a compromissos. Em Paris, mais da metade dos lares é formada por pessoas solteiras, em Estocolmo o índice é de 60%,. Será que todas as dificuldades que enfrentamos nos relacionamentos estão assustando as pessoas para o casamento?

Os homens devem sair da posição passiva que prioriza a família da esposa. As mulheres por sua vez devem abandonar o próprio egoísmo e desenvolver gratidão pelos sogros por receber o marido para compartilhar a sua vida. Pais, irmãos e sogros devem procurar cativar ambos. Evitar frases no singular: ‘Que bom que você veio meu filho!’ Desenvolver a amorosidade de agregar vocês. Os familiares só devem aconselhar o casal quando forem solicitados para isso e jamais invadir o espaço conjugal.

A regra é muito básica, empatia, educação e respeito. Lembrando que ninguém é tão auto-suficiente que não precise dos outros e nem tão insignificante que não possa oferecer algo de si. Família é um dos nossos bens mais preciosos e nós não devemos e não temos direito de esvaziar as relações com indiferença e transformá-las em nada. Nós podemos enfrentar o ódio, a raiva, o desespero ou qualquer pessoa que esteja sentindo alguma coisa, mas não podemos enfrentar o NADA.

Famílias devem ser Portos Seguros, jamais campos de batalhas. Amor é um laço que deve ser construído gradativamente. Como afirmava o escritor Leonardo Buscaglia: “Somos todos anjos com uma asa só... E só podemos alçar vôos quando estivermos abraçados uns aos outros.” Os familiares devem ser os primeiros anjos.

- Lígia Guerra -

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