Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
- Clarice Lispector -

3 comentários:
so os momentos aqueles que as maos do amor se entrelacan sin importar o escenario qualquer e hermoso...sin igual... belas letras
saludos
linda semana
abracos
Adoro Clarice Lispector, é tão mágico os seus textos.
Beijo!
A embreagez do amor... Gostei.
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