Lígia Guerra

Lígia Guerra
Por que carrego doçura na alma e asas nos pés?
Porque sinto a vida além do óbvio.
Porque enxergo sol em dias de chuva.
Porque amo até mesmo o desamor.
Porque acolho cada gesto com os braços do coração.
Porque perfumo o caminho das estrelas.
Porque componho alegria na poesia da tristeza.
Porque desejo colorir a vida com olhos de fé!

- Lígia Guerra -

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Vidas borradas...





Quem conhece o espetáculo das Cataratas em Foz do Iguaçu, dificilmente fica indiferente à conexão divina que aquele lugar desperta. É como se as águas tivessem mãos e acariciassem a nossa alma. Foi em uma dessas tardes que reúnem espectadores do mundo todo que uma garotinha fez um show a parte. Hipnotizada por toda aquela beleza, uma menina que não devia ter mais do que quatro anos olhou para a tia que a conduzia pela mão e perguntou: “Quando o homem vai desligar essa torneira gigante?” 

Os que se encontravam próximos, divertiram-se com a ingenuidade da pequena.  Mas que coisa fabulosa é a forma pura, inocente e curiosa que faz com que as crianças vistam roupagens especiais nos olhares comuns e distraídos dos adultos. Como é terna e poética a capacidade infantil de perguntar o impensado: Quem coloca o sol para dormir e acende as estrelas do céu? Por que o céu não é cor de rosa? Por que os gatos não voam como os pássaros? Por que as pessoas brigam por terras se o mundo é gigante? 

Se as crianças carregam tamanho encantamento, por qual motivo os adultos insistem em roubar delas essa magia diante da vida? O que faz com que os pais permitam e até estimulem a adultização dos pequenos? Crianças em salões de beleza fazendo as unhas com quatro, cinco ou seis anos? Meninas em concurso de beleza? Adultos compartilhando vídeos de garotinhas que ensinam como uma “mulher” deve se maquiar e achando tudo isso natural, uma gracinha?!?! 

Criança tem que brincar, andar de bicicleta, subir em árvores, sentir o vento soprando em seus rostinhos enquanto brincam de pega-pega. Criança tem que pintar a parede da casa e não o rosto. Aprontar travessuras, aprender a pensar, ler , questionar e não pousar para fotos em redes sociais. Não adultize. Não assalte os curtíssimos anos da ternura da infância. Não furte o direito de uma criança ser infantil com toda a singularidade e beleza dessa fase. 

Ame. Ame muito. Brinque ainda mais. Curta cada etapa. Deixe que ela caminhe no ritmo dela. Mas faça isso com olhos de criança e maturidade de adulto. Não inverta a ordem. Não seja você o infantil querendo educar um mini adulto. Cuidado! A maquiagem precoce do hoje pode se tornar a vida borrada do amanhã. 

 - Lígia Guerra -


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